A etiqueta sem chave — um conto de outubro
Uma pequena ficção de primaveraEste é um conto original, com personagens inventados. A história se passa em uma casa onde outubro convida a abrir a janela. Não pretende descrever o clima de todo o Brasil, só o começo de uma conversa.
A etiqueta no fundo da gaveta
Bia encontrou uma etiqueta escrita varanda, presa a um aro sem chave. Não lembrava de onde tinha vindo. A casa atual nem tinha varanda. Deixou a etiqueta na mesa, ao lado de uma lista de coisas que precisava resolver naquele sábado.
Um lugar que cabia numa palavra
Sua irmã viu a palavra e perguntou pela cadeira azul da casa antiga. Bia se lembrou da cadeira, mas não da cor. Em vez de corrigirem uma à outra, começaram a contar o que cada uma enxergava naquele espaço que já não existia para elas.
Duas varandas diferentes
Na lembrança de uma, havia sempre barulho de louça. Na da outra, o mais importante era o tempo em que ninguém pedia nada. Bia percebeu que a etiqueta não precisava abrir uma porta para servir de entrada.
A lista mudou de tamanho
Elas não passaram a tarde inteira conversando. A irmã precisava sair e Bia ainda tinha tarefas. Antes de se despedirem, combinaram mandar uma pequena lembrança por semana, sem exigir que as duas recordassem do mesmo jeito.
O aro ganhou uma folha
Bia prendeu à etiqueta um papel dobrado. Escreveu cadeira, cor em discussão. Não procurou uma foto para encerrar o assunto. Gostou de deixar uma coisa em aberto que não fosse um problema a resolver.
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